Arquivo | março, 2012

Do dia 22

5 mar

Dia 22 de dezembro do ano passado foi uma quinta-feira. Seríamos 5 no Celta e mais uma penca de bagagens porque contávamos com 15 dias na estrada. O mais econômico foi o meu irmão Rodrigo, que deve ter levado umas 5 camisetas, 3 bermudas, um chinelo e 4 cuecas. “Lavo tudo no caminho e uso de novo”, ele disse. Queria ter esse desprendimento/nível de ogrice, mas não consigo: levei uma mala gigante com uns 10 vestidos, uns 15 shorts, 2 agasalhos (a previsão era de calor todos os dias), 30 camisetas, 175 calcinhas, 4 tênis, 2 sandálias, 2 chinelos. Enfim, levei meu armário quase inteiro porque gosto de ter opção.

DICA: Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: não usei nem 1/3 das roupas que levei e meu irmão teve que comprar roupas no caminho porque no apartamento em Buenos Aires a máquina de lavar parou de funcionar no primeiro dia.

Ligamos o carro ainda de madrugada e pegamos a Régis Bittencourt ali por Taboão da Serra, já com o dia claro. A estrada é boa, apesar da fama de perigosa porque tem uma penca de caminhões gigantes. De São Paulo a Porto Alegre os caminhões são realmente monstruosos. Mas até Curitiba, a Régis Bittencourt tem duas pistas, às vezes até três.

Cantarolávamos músicas de acampamento, contávamos piadas, fazíamos planos e o bom humor era contagiante até a Serra do Cafezal. É uma bela serra, florida, com mata nativa, uma lindeza e faz parte da Serra do Mar, ainda no estado de São Paulo. Mas essa bosta desse lugar está em obras de ampliação e demoramos cerca de 3 horas para passarmos 18 km.

Foi o primeiro grande obstáculo da viagem, porque deu vontade de encarnar o Michael Douglas e voltar de ré, batendo em todos os filhos da puta dos caminhões que entopem a merda da Serra. Pra se ter uma idéia, meu pai, já mijando nas calças, conseguiu descer do carro, tirar água do joelho em uma casinha na beira da estrada e continuávamos parados no mesmo lugar. Mas a verdade é que dava tempo pra cagar (e cagar de novo, e de novo e de novo e de novo).

Passando a Serra do Cafezal, tudo fluiu bem e conseguimos chegar em Curitiba às 14h e lá vai paulada. Eu tinha marcado de almoçar com a Uli e sua família, mas demoramos tanto na Serra que troquei o encontro pelo jantar.

Quando se tem poucas horas em cada lugar é preciso eleger uma ou duas coisas para se fazer. Foi assim que paramos no Jardim Botânico para meu irmão e o Luquinhas conhecerem (eu e meus pais já conhecíamos) e depois fomos procurar algum lugar pra comer. Já era tarde para almoçarmos e tudo estava fechado. Foi assim que nossa primeira refeição da viagem foi um Burguer King, Coisa de paulista jeca, diria o Julinho, amigo meu.

Depois fomos até a casa da Uli. Curitiba é um lugar fácil para dirigir, é bem sinalizado, mas não dispensamos a ajuda dos mapas e de um GPS nem por um segundo (meu irmão promete resenhar o aplicativo aqui em breve).

Comemos lasanha, batemos papo, brincamos com os filhos da Uli e do Cláudio, dormimos confortavelmente e no dia seguinte acordamos, ainda com o dia escuro, porque eu tinha que terminar de cruzar o Paraná, cortar Santa Catarina inteira e andar mais um pedação do Rio Grande do Sul até Porto Alegre.

Das mudanças de trajeto

5 mar

Uma das coisas mais legais de viajar de carro é a liberdade que se tem pra mudar tudo o que você planejou no meio do caminho. Se o lugar que você parou é muito legal, é possível estender uns dias; se é uma bosta, dá pra arrumar as suas coisas e se mandar dali rapidinho.

Quando decidimos fazer essa viagem, a única coisa que eu tinha certeza é que poderia sair de São Paulo no dia 22 de dezembro e que deveria voltar a trabalhar no dia 9 de janeiro. Fora isso, pensei naquele trajeto dias antes de eu ligar o motor do Celta e partirmos.

Para não dizer que nos deixamos surpreender 100% pelos caminhos, eu e meu irmão compramos, ainda aqui em São Paulo, as passagens de Buque Bus de Colônia do Sacramento, no Uruguay, para Buenos Aires, no dia 27/12 de madrugada. Sendo assim, eu precisaria chegar em Colônia no dia 26 para apresentar a cidadezinha aos meus pais. Fiz reservas para nós cinco em um albergue chamado El Español, que depois será devidamente resenhado em um post só sobre serviços.

Também fiz, ainda de São Paulo, reservas em outro albergue em Porto Alegre para o dia 23/12. E alugamos um apartamento em Buenos Aires do dia 27/12 ao dia 2/01. Fora isso, só caminhamos contra o vento, sem lenço em com alguns documentos importantes que não puderam faltar.

O trajeto ficou mais ou menos assim:

22/12: São Paulo – Curitiba
23/12: Curitiba – Gramado – Porto Alegre
24/12: Porto Alegre – Pelotas – Chuí – Rocha (URU) – Punta Del Leste (URU) – Montevidéo (URU)
25/12: Montevidéo (URU)
26/12: Montevidéo (URU) – Colonia Del Sacramento (URU)
27/12: Colônia (URU) – Buenos Aires (ARG)
27/12 a 02/01: Buenos Aires (ARG)
02/01: Buenos Aires (ARG) – Paso de Los Libres (ARG) – Uruguaiana (BR)
03/01: Uruguaiana – Passo Fundo – Blumenau
04/01: Blumenau – São Paulo

E aos poucos vou contando as histórias pra vocês aqui.