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Dos amigos

24 dez

Outro dia, a @Vivianf disse que a internet a aproximou de desconhecidos e a afastou dos amigos. Isso também aconteceu comigo, principalmente na parte boa da história: a dos grandes amigos que a internet me trouxe.

A Uli foi uma dessas. Não lembro bem quando começamos a conversar, mas sei que foi por causa do blog: ela começou a ler o Eneaotil (acho que o blog até tinha outro nome na época) e depois eu passei a ler o blog dela. E aí começamos a nos aproximar, até que ela veio para São Paulo e nos conhecemos pessoalmente (e de quebra, ainda conheci o Cláudio, seu marido, e o Theo, seu primogênito que, naquela época, tinha pouquíssimos meses de vida).

Depois disso, nunca mais nos vimos. Eu sempre lhe prometia uma visita, assim, de forma descompromissada: “Ah, espero um dia poder ir para Curitiba te ver, Uli”, eu dizia, mas não cumpria.

Quando eu comecei a pensar essa viagem, a primeira parada na minha cabeça foi Curitiba. Mais do que reencontrar a cidade e apresenta-la ao meu irmão e meu filho, os dois únicos que ainda não a conheciam, eu queria rever a Uli, o Theo e o Cláudio, e conhecer a Lara (porque de lá pra cá, eles eram três e viraram quatro).

A ideia era passar rapidinho, uma visitinha de médico: nós almoçaríamos com a família da Uli no da 22 e depois eu desceria a Blumenau, conheceria mais um pouquinho de outra cidade e seguiríamos viagem. Mas, quando eu avisei minha amiga que ia, ela ofereceu a sua casa para passarmos a noite e ficarmos mais um tempinho juntas.

Então eu mudei toda a nossa rota. Tirei fora Blumenau, desisti de Floripa e decidi descer de Curitiba a Gramado. Porque eu sei que a Uli não ofereceu só por educação, ela queria mesmo esse tempinho dos Macedo com os Pesserl, ela queria conhecer o Lucas que ainda não conhecia e queria me apresentar a sua pequenina.

Eu não saí pedindo abrigo para os amigos porque sei que não é fácil meter cinco pessoas na sua casa, principalmente nessa época de Natal e Ano-Novo. É inconveniente e dá trabalho. Mas eu não pensei nem por dois minutos em não aceitar a proposta da Uli, não pela economia que faríamos de hotel por um dia, mas porque é assim que a gente retribui alguém que faz mais por nós do que um parente. Dando um pouco de nós, do nosso tempo, da nossa família.

Quando eu cheguei na casa da Uli, podre de dirigir, depois de enfrentar horas de estrada e mais algumas horas de congestionamento, ela me mostrou toda empolgada o cantinho que tinha separado pra gente. E ela tinha montado quatro camas: uma de casal para os meus pais e três de solteiro. E tinha separado roupa de cama cheirosa e toalha para todo mundo.

Eu brinquei com o Theo, o Lucas virou melhor amigo dele e do sobrinho da Uli, a Lara sorriu pra mim, eu conheci os pais da Uli, ela conheceu os meus, meu irmão falou horas de tecnologia com o Cláudio, a Uli trouxe a melhor amiga dela para o jantar e terminamos a noite comendo uma lasanha deliciosa e nos empanturrando de chocolate. Depois, dormi como se estivesse na minha casa para enfrentar os 900 km de estrada do dia seguinte.

É muito bom ter amigos, mas o mais legal disso tudo é ser surpreendida pelas pessoas. Você acha que elas nunca serão capazes de se superarem e aí elas te oferecem o que tem de melhor e você termina o ano com o coração forrado de esperança porque o mundo tem dessas pessoas iguais aos Pesserl.

>> Uli, obrigada por tudo. A primeira parada, tenho certeza, foi uma das melhores partes da viagem. Tua família toda agora é parte da minha. E você, parte dessa e de outras aventuras dos Macedo. Um beijo e o melhor pra vocês em 2012. E sempre.

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